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BikeAholic
OficinaGuia prático · · 10 min de leitura · Equipa BikeAholic

Pneus da bicicleta: que largura e que pressão, na estrada, no gravel e no BTT

Antes de mexeres na pressão, lê o pneu: a largura que lá está marcada muda tudo. Explicamos como ler as medidas, porque é que dois pneus «iguais» podem ter larguras diferentes e damos pontos de partida de pressão tirados de fabricantes, as regras que nunca mudam e a forma de afinar.

No flanco está quase tudo: medida, ETRTO, tubeless e intervalo de pressão. Um dos nossos pneus de BTT.

O que muda a pressão certa

Os fabricantes usam quase todos os mesmos fatores nas suas calculadoras:

  • Peso total: o teu, o da bicicleta e o que levas. Mais peso, mais pressão.
  • Largura do pneu: quanto mais largo, menos pressão precisa.
  • Largura interna do aro: um aro mais largo dá mais apoio ao pneu.
  • Piso e tempo: piso irregular, solto ou molhado pede menos pressão.
  • Câmara ou tubeless: com câmara precisas de mais pressão, para evitar furos por trilhamento.

Largura: lê o pneu antes de mexer na pressão

No flanco de cada pneu há duas medidas: em polegadas, como «29 x 2.35», e a da norma europeia ETRTO, em milímetros. Em «57-622», 57 é a largura e 622 o diâmetro do aro onde o pneu assenta (o mesmo nas rodas de 29" e nas de 700c de estrada e de gravel). Num pneu de estrada, verás por exemplo «700 x 28C» e «28-622»: 28 mm de largura, no mesmo aro de 622 mm.

Nos pneus das nossas bicicletas de BTT, todos «29 x 2.35», dois marcam 57-622 e dois 60-622: 3 mm de diferença com a mesma medida em polegadas. E os intervalos de pressão também diferem: 2 a 4 bar num, 1,5 a 3,5 bar noutro. Para comparar, usa o ETRTO e o intervalo do teu pneu.

Para recolheres as medidas do teu pneu e do teu aro:

  1. Lê o flanco do pneu. Procura a medida ETRTO (por exemplo 60-622), a medida em polegadas, o intervalo de pressão (em bar e psi, por vezes também em kPa), se é tubeless («TLR» ou «Tubeless Ready») e o sentido de rotação («Rotation» ou uma seta), quando existe. As letras em relevo leem-se melhor com a luz de lado.
  2. Vê a largura interna do aro (a medida A no esquema mais abaixo). Alguns aros trazem-na num autocolante: num dos nossos, «30MM», e o fabricante confirma 30 mm de largura interna. Se não estiver marcada, procura o modelo no site da marca.
  3. Mede a largura real com um paquímetro, com o pneu montado e cheio, no ponto mais largo. Pode fugir à marcada: há uma tolerância de fabrico de 3 mm, o pneu alarga 1 a 2 mm com o uso e um aro mais largo dá um perfil mais largo e mais baixo.
  4. Confirma os limites: a pressão máxima do aro (gravada nele ou no manual); a largura máxima de pneu que o quadro e a suspensão aceitam, com pelo menos 4 mm de folga entre o pneu e o quadro, e mais se andas na lama; e se a combinação pneu–aro está dentro da norma ETRTO. Desde 2023, num aro de 25 mm interiores o pneu mais estreito admitido é de 29 mm (Cyclingnews).
  5. Fotografa as marcações. Ficas com o registo para comparar pneus e para usar nas calculadoras.

Mais largo só ajuda se baixares a pressão. O conforto e a aderência de um pneu largo vêm de rodar com menos pressão; com a pressão de um pneu estreito, perde a vantagem. Uma regra prática, repetida por muitos especialistas: cada 2 mm a mais de largura permitem cerca de 0,7 bar (10 psi) a menos.

Na estrada, mais largo não é mais lento. Em laboratório, o mesmo modelo de pneu de estrada em 25, 28, 30 e 32 mm, cada um à pressão recomendada, perdeu 10,4, 10,2, 10,0 e 9,8 W a vencer a resistência ao rolamento, a 29 km/h (Bicycle Rolling Resistance). Nestes testes, os watts são potência perdida: quanto menos, melhor rola o pneu. Num teste anterior, com a pressão acertada para o mesmo conforto, de 23 a 32 mm a diferença não passou de 0,2 W. Daí a regra do autor: escolhe o conforto de que precisas e o pneu mais estreito que to dá (Bicycle Rolling Resistance). No Tour de 2026, numa amostra de 26 pneus medidos, 30 mm já foi a medida mais usada e a média real foi de 30,3 mm; nas bicicletas de contrarrelógio, um pouco menos, 29,7 mm (BikeRadar).

No BTT, o aro tem de acompanhar. Um pneu muito largo num aro estreito fica instável, por falta de apoio nos flancos, e deforma-se mais em curva (BikeRadar). Muitos aros de BTT já têm 30 a 35 mm interiores. A Maxxis, por exemplo, recomenda essa medida para os seus pneus de 2,4" e 2,5", e deixou de usar a sigla WT («Wide Trail»), que ainda vês em pneus mais antigos, porque agora são todos desenhados para aros largos (Maxxis).

Nos esquemas abaixo vês as três medidas de um aro e a diferença entre um aro com gancho (TC) e um hookless (TSS), as siglas que aparecem no flanco de alguns pneus, como no nosso de estrada.

29 x 2.35, mas 57-622 e 2 a 4 bar.
Também 29 x 2.35, mas 60-622: mais 3 mm.
A largura interna do aro (30 mm) no autocolante, ao lado das marcações do pneu.
Pneu de estrada: 25-622 (700x25C). E dois máximos: 6,9 bar em aro com gancho (TC) e 5 bar em aro hookless (TSS).
As três medidas de um aro. A: largura interior, entre as paredes, onde assenta o talão do pneu; é a que as calculadoras e a tabela ETRTO pedem. B: largura exterior. C: altura do aro (perfil).
À esquerda (TC), aro com gancho: a borda dobra-se para dentro e prende o talão do pneu. À direita (TSS, «tubeless straight side»), aro hookless: paredes direitas, sem gancho; por isso só leva pneus tubeless aprovados e no máximo 5 bar.

Pontos de partida, por tipo de bicicleta

Os valores abaixo são exemplos publicados por fabricantes, para condições concretas. Usa-os como ponto de partida, não como regra. Em bar, frente / trás (1 bar = 14,5 psi).

BicicletaExemploFrente / trásFonte
Estrada, 25 mmPneu Schwalbe Pro One, ciclista de 71 a 75 kg, aro de 19 mm com gancho5,8 / 6,3 barSchwalbe
Estrada, 28 mmPneu Schwalbe Pro One, ciclista de 71 a 75 kg, aro de 19 mm com gancho4,8 / 5,3 barSchwalbe
Estrada, 30 mmPneu Schwalbe Pro One, ciclista de 71 a 75 kg, aro de 19 mm com gancho4,2 / 4,6 barSchwalbe
Gravel, 40 mm80 kg no total, piso misto2,2 / 2,3 barVittoria, via BikeRadar
Gravel, 45 mm80 kg no total, piso misto2,1 / 2,2 barVittoria, via BikeRadar
BTT, tubelessPonto de partida para iniciados1,9 / 2,1 barCanyon
BTT, com câmaraPonto de partida para iniciados2,2 a 2,3 / 2,4 barCanyon

Atenção: os valores de estrada são para aros com gancho. Num aro hookless, o máximo é 5 bar (ver «As regras que nunca mudam»): os valores de 25 mm e o de trás de 28 mm já o passam.

Para um valor feito à tua medida, usa uma calculadora. Explicamos a seguir quais.

Calculadoras: qual usar

Há várias calculadoras gratuitas, algumas de marcas de pneus. Quase todas pedem o peso total (ciclista e bicicleta), a medida do pneu, o aro e o terreno, e dão-te um valor para a frente e outro para trás:

CalculadoraPara que bicicletasO que a distingue
SRAMEstrada, gravel e BTTPede o tipo de aro (com gancho ou hookless) e a carcaça do pneu; serve para qualquer marca
VittoriaTodas, da estrada ao downhillPede câmara, tubeless ou insertos, estilo, nível e tempo; serve também para pneus de outras marcas
SilcaEstrada, gravel, pista e BTTBaseada em dados reais de corredores profissionais; pede o email
Wolf ToothGravel, BTT e fat bikePede a largura medida do pneu e a temperatura
Schwalbe Pressure GuideEstrada, gravel, BTT e cidadeSucessora da Pressure Prof; ainda em versão de testes (beta)

Não te espantes se derem números diferentes: cada uma pesa os fatores à sua maneira. A Cycling Weekly sugere experimentar várias e tratá-las como guia, não como verdade absoluta. Dá-lhes a largura que mediste, não só a marcada, e confirma sempre que o resultado fica dentro dos limites do pneu e do aro.

As regras que nunca mudam

Seja qual for a bicicleta:

  • Atrás, mais do que à frente. A roda de trás leva mais peso. Em todos os exemplos acima, a diferença anda entre 0,1 e 0,5 bar.
  • Respeita os limites do pneu e do aro. O pneu tem um intervalo marcado no flanco. O aro também pode ter um máximo, e é esse que manda quando é mais baixo.
  • Aros hookless (sem gancho): no máximo 5 bar. É o limite da norma ETRTO; se o aro ou o pneu indicarem menos, vale o valor mais baixo. Usa só pneus tubeless (TLR ou TLE) aprovados pelo fabricante do aro; se puseres câmara, tem de ser dentro desse mesmo pneu (BikeRadar). Há pneus que já trazem os dois máximos no flanco: num dos nossos pneus de estrada, 6,9 bar para aros com gancho (TC) e 5 bar para aros hookless (TSS). A diferença entre os dois tipos de aro está no esquema da secção da largura.
  • Com câmara, um pouco mais, e um pouco mais lento. No BTT, há marcas que indicam cerca de 0,35 bar (5 psi) a mais do que em tubeless. Em laboratório, num pneu de BTT 29 x 2.2 a 1,7 bar e 29 km/h, a resistência ao rolamento custou 17,4 W com tubeless, 18,5 W com câmara de látex e 22,4 W com câmara de butilo (a câmara tradicional), e a diferença cresce quanto mais baixa a pressão (Bicycle Rolling Resistance).
  • À chuva, um pouco menos. No gravel, a Vittoria sugere baixar cerca de 0,1 bar do seco para o molhado (via BikeRadar).

Mais pressão é mais velocidade? Depende do piso

Pneu cheio de mais não é sinónimo de rápido. Depende do piso.

Em piso irregular, os testes da Silca mostram que, acima de certa pressão, o pneu deixa de absorver as irregularidades e a vibração rouba energia: encher mais deixa-te mais lento. Quanto pior o piso, mais baixo o ponto ideal.

Em piso liso, acontece o contrário: sem vibração para absorver, mais pressão reduz a perda na borracha e o pneu rola melhor, até ao limite do pneu e do aro (Silca). Na prática: estrada lisa e estradão rápido aguentam mais pressão; piso partido, terra e pedra pedem menos.

«Acima de certo ponto, mais duro deixa de ser mais rápido.»

E o desenho do piso? Rolador ou com mais aderência

Os tacos também contam, e muito. Nos testes de laboratório da Bicycle Rolling Resistance, com a mesma carga, velocidade e método, a resistência ao rolamento custa 12 a 16 W nos pneus de BTT mais rolantes e 31 a 35 W nos mais lentos, com larguras reais parecidas, de 50 a 57 mm. A diferença vem do desenho do piso, da borracha e da carcaça.

Na prática: estradões rápidos pedem um pneu rolador; lama, pedra solta e curvas fechadas pedem aderência, e aí vale a pena perder alguns watts.

Como afinar até acertar

Começa no ponto de partida e muda pouco de cada vez:

  1. Mede sempre com o mesmo manómetro, e de confiança. Os manómetros das bombas raramente são calibrados e podem errar muito: numa das nossas bombas, o manómetro marca 2,1 bar quando um manómetro digital e a nossa bomba elétrica marcam 1,4 a 1,5 bar. Compara as tuas bombas com um bom manómetro digital e usa sempre o mesmo como referência. O polegar engana.
  2. Muda 0,1 a 0,2 bar de cada vez, sempre no mesmo percurso, para poderes comparar.
  3. Volta a acertar quando algo muda. Se o peso do conjunto mudar (ciclista, bicicleta e o que levas, como mochila ou alforges) ou mudares de terreno, a pressão certa também muda.
  4. Repara nos sinais (ver abaixo) e anota o que funcionou.
  5. Mede antes de cada saída. Os pneus perdem ar com o tempo, e com tubeless tendem a perder mais depressa (Cycling Weekly).

Na nossa dica Verificar a bicicleta antes de sair, a pressão é o primeiro ponto da lista.

Sinais de que estás longe do ponto certo

Os sinais mais claros de que a pressão não está certa, em qualquer tipo de bicicleta:

Pressão a menosPressão a mais
Em curva, o pneu dobra e ouves ar a escapar entre o pneu e o aro (tubeless)A bicicleta escorrega em vez de agarrar, sobretudo em curva
Furos por trilhamento, com câmaraMais vibração e mais lento em piso irregular

Uma exceção: em terreno muito rochoso e com arestas vivas, há marcas que lembram que é preciso mais pressão para proteger o aro. Aí, o conforto fica para segundo plano.

Em suma

Lê o pneu, parte de um valor de fabricante ou de uma calculadora, respeita os limites do pneu e do aro, e afina aos poucos, sempre com manómetro.

E leva sempre uma bomba ou CO2 na bolsa de ferramentas ou presa à bicicleta. A pressão certa não serve de nada com o pneu vazio.

Que pressão usas? Conta-nos, com a largura do pneu e o piso.

Fontes

Lidas a 4 de novembro de 2026. Os links estão no texto, junto de cada dado.

  • Testes: Bicycle Rolling Resistance (laboratório) e Silca (testes na estrada).
  • Normas: ETRTO, segundo a BikeRadar e a Cyclingnews.
  • Imprensa técnica: BikeRadar, Cyclingnews e Cycling Weekly.
  • Fabricantes: tabelas e calculadoras da Schwalbe, Vittoria, Canyon, SRAM, Silca, Wolf Tooth e Maxxis.

Ciclismo real. Para quem pedala.

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Aviso legal: Informação geral. Os valores são pontos de partida tirados das fontes indicadas. Respeita sempre as pressões mínima e máxima marcadas no pneu e no aro, e as instruções de cada fabricante.